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Postado em 16 de Julho de 2014 às 16h48

Sintomas de uma inevitável crise

A complexa questão da energia elétrica no grande oeste catarinense vem sendo estudada nos últimos anos por um especialista do setor, o diretor de desenvolvimento industrial e comercial da ACIC, engenheiro eletricista Nelson Eiji Akimoto, presidente da NORD Electric S.A. Nesta entrevista, o empresário faz uma ampla análise e indica as soluções necessárias e urgentes.



Na sua avaliação, o oeste catarinense vive uma crise no abastecimento de energia elétrica?



Nelson Eiji Akimoto - Eu não caracterizaria como “crise”, mas sim que o abastecimento de energia elétrica em nossa região apresenta “sintomas” de uma inevitável “crise” se algumas obras importantes do setor elétrico não forem realizadas com urgência. Em 2013, a CELESC manteve índices de interrupções menores que a média nacional e dentro da meta da ANEEL em termos estaduais. Mas, em Chapecó, o consumidor teve mais quedas de energia que a média catarinense. Em fevereiro de 2014, tendo como base os 20 primeiros dias de análise, estes índices registraram os piores valores de todo o estado de Santa Catarina, onde o DEC (tempo acumulado que as unidades consumidoras ficaram sem energia) registrou 87% acima da meta e o FEC (indica a quantidade de vezes que ocorreu interrupção no fornecimento) registrou 74% acima da meta.



Qual o diagnóstico que o Sr. faz sobre o suprimento de energia elétrica no grande oeste catarinense?

Akimoto - Atualmente, o oeste de Santa Catarina tem apenas dois pontos de suprimento de energia, de conexão à rede básica pertencente ao Sistema Integrado Nacional, que é a Subestação Xanxerê da Eletrosul e a UHE Quebra-Queixo. Esta situação é um dos pontos frágeis da região oeste, pois temos como exemplo a situação que ocorreu no início deste ano, quando, devido ao baixo nível de água observado no rio Chapecó, a UHE Quebra-Queixo quase deixou de operar. Se isto vier a ocorrer novamente teremos vários reflexos na qualidade de energia como subtensões, devido à sobrecarga nas instalações da rede básica, pois ficaríamos somente com a Subestação de Xanxerê. Nesse caso, a nossa capacidade ficaria reduzida em 16% com a saída da UHE Quebra-Queixo. Para não se chegar a esta situação pode haver necessidade de racionamento de energia. Destaco, entretanto, que esta situação é externa ao sistema da CELESC.



Como o Estado está enfrentando esse quadro de dificuldades?

Akimoto - Temos conhecimento de ações do Governo Estadual junto ao Ministério de Minas e Energia, solicitando a antecipação de uma obra importante, que é um novo acesso à Rede Básica com a construção de uma nova subestação em Pinhalzinho, cuja conclusão está prevista para o segundo semestre de 2016. Na minha visão, temos que unir esforços para anteciparmos a conclusão desta importante obra para 2015.



A rede de distribuição de energia nas zonas rurais e urbanas está velha e subdimensionada, provocando constantes quedas e oscilações bruscas que resultam em perda de máquinas e equipamentos. Estaria aqui o maior foco de problemas?

Akimoto - Desconheço em detalhes a situação das redes de distribuição e seu dimensionamento. Penso que não podemos generalizar, pois existem investimentos que foram realizados recentemente pela CELESC e outros a realizar em nossa região pelo que temos informação, mas não sei se são suficientes.



Em nossa região funciona uma das maiores hidrelétricas do País – a Foz do Chapecó – e uma rede de PCHs. Geração de energia, com certeza, não é o nosso problema.

Akimoto - Estamos em uma região muito privilegiada com relação à geração de energia, e realmente esse não é o nosso principal problema. Sabemos que o sistema elétrico é interligado e, por isso, se houver um grande crescimento de demanda de energia associado à redução dos níveis dos nossos reservatórios, mesmo tendo todo este potencial na nossa região podemos ser afetados. O que não podemos aceitar é que a energia seja gerada em nossa região e por falta de infraestrutura da rede básica, que dependem de investimentos do Governo Federal, nossa região e nossa qualidade de vida sejam prejudicadas. A subestação da Rede Básica em Pinhalzinho será alimentada pela UHE Foz do Chapecó.



O volume de investimentos da Celesc no oeste de SC não tem sido adequado às demandas da indústria e das demais classes de consumidores? Por quê?

Akimoto - Penso que existem investimentos da Celesc em nossa região, mas, constato que em algumas microrregiões, os investimentos estão defasados com as reais necessidades.



Quais os investimentos considerados urgentes?

Akimoto - Após realizar reuniões sobre este tema no Fórum de Competitividade e Desenvolvimento da Região Oeste, reunião nas Regionais da Celesc em Chapecó, São Miguel do Oeste e Concórdia, além de algumas entrevistas com empresários, destaco ações e investimentos que considero urgentes: antecipação da Subestação de Pinhalzinho de conexão à rede básica para 2015, com as linhas de transmissão de alimentação e interligação; antecipação da subestação de Concórdia para o primeiro semestre de 2015, com a linha de transmissão de alimentação e as redes de distribuição em 23,1 KV; novo alimentador adicional da SE Pinhalzinho para a SE São Miguel do Oeste; novas opções de redes de transmissão interligando regiões e cidades do extremo oeste, dando opções diferentes com maior segurança para o abastecimento desta região; subestação de Maravilha, derivando de um dos alimentadores acima; definição urgente do local (região sul da cidade de Chapecó) e montagem da subestação Chapecó III, com uma redistribuição das cargas entre as três subestações em Chapecó.



Além dessas obras, quais são as demais ações urgentes?

Akimoto - Considero prioritário definir uma estratégia de ampliação do atendimento com rede trifásica nas propriedades da zona rural; a instalação de redes isoladas compactas em locais de preservação da mata nativa ou em locais de grande incidência de árvores, galhos e cascas na rede; a modernização e as adequações das redes de distribuição com a instalação de reguladores de tensão e religadores de energia em locais estratégicos; as redes de distribuição expressas para setores prioritários como parques tecnológicos, condomínios empresariais e distritos industriais; o planejamento do desenvolvimento industrial com a definição de áreas e estimativa de necessidade de demanda de energia e outras infraestruturas e estabelecer legislação municipal com relação às distâncias de plantio/podas de árvores das redes de distribuição de energia.



Qual a solução para as regiões agrícolas que estão sofrendo prejuízos?

Akimoto - O que tenho observado é uma grande solicitação por parte de consumidores rurais de necessidades de redes trifásicas em suas propriedades, pois para ampliar o seu negócio precisa de uma maior demanda de energia. Proponho aos avicultores, a inclusão de um gerador de emergência no financiamento do aviário, ou buscar um financiamento especial para aquisição deste tipo de equipamento além do apoio técnico para o dimensionamento e instalação na propriedade.



Além dos problemas com o suprimento energético, há previsão de forte aumento das tarifas de energia?

Akimoto - As empresas que têm a energia elétrica como um dos seus importantes insumos precisam estar atentas aos reajustes das tarifas que ocorrerão em agosto deste ano - data base da CELESC. Este reajuste deverá surpreender os consumidores, pois a tendência é de agravamento do valor em função da utilização de energia térmica.

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