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Postado em 21 de Julho de 2016 às 14h34

Francis Marcel Post: “Inovação é fator determinante para continuidade das empresas"

O que a inovação tem a ver com estratégia? A resposta é ‘tudo’. Para inovar, qualquer organização precisa ter uma estratégia. Muitas pessoas ainda relacionam inovação com tecnologia, mas é muito mais que isso. Inovar é explorar com sucesso novas ideias e, para as empresas, significa aumento de faturamento, acesso a novos mercados, aumento das margens de lucros, desenvolvimento com sustentabilidade, cidadania coorporativa, entre outros benefícios. Por isso, é preciso de planejamento. Nesta entrevista, o diretor de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Inovação da Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC), Francis Marcel Post, avalia o desenvolvimento da inovação em Chapecó.
Natural de Palmitos, em Chapecó desde 1996, casado com Daniela e pai da Letícia, Post é graduado em Ciências Contábeis pela Unoesc em 2001, Pós-Graduação em Gestão de TI pela FIE e Pós-Graduando em Engenharia da Produção pela Unoesc. Sócio proprietário das empresas: Vision System, Onsis, Bean Web, Vega e Infoger. Atual diretor e presidente do Conselho Diretivo da Associação Polo Tecnológico do Oeste Catarinense (Deatec), foi vencedor nacional, em 2014, do MPE Brasil Categoria TI, duas vezes finalista Estadual, vencedor da Categoria TI em 2009 e 2013 e na categoria especial Responsabilidade Social em 2013 e finalista em Inovação. Também foi agraciado com o Troféu O Desbravador, em 2011, na Categoria Especial de Desenvolvimento Tecnológico.

Qual é o papel da inovação na sobrevivência e na longevidade das empresas, nesses novos tempos marcados pelas incessantes revoluções e saltos tecnológicos?
Francis Marcel Post - Decisivo. Inclusive é fator determinante da continuidade das empresas. Tudo o que se lê ou ouve em relação ao papel da inovação nas organizações, seja ela de qualquer esfera, área de atuação ou porte, é real e quem não seu deu conta disso vai perceber da pior forma possível: tendo sérios problemas na empresa e muitas vezes tarde demais para ser reversível. A necessidade de inovar é constante devido ao fato de que a cada dia a comunicação se torna mais ágil. Desta forma, estamos criando geração de insatisfeitos e ávidos por novidades, então o que está sendo consumido hoje pode não ser consumido amanhã e esquecido depois de amanhã.

O empresário chapecoense está consciente desses desafios e está adotando medidas para garantir competitividade e sobrevivência de sua empresa?
Post - O empresário chapecoense é muito conservador, ainda temos muitas empresas familiares que estão no período de troca de gerações. Essas empresas muitas vezes não tem uma administração profissionalizada e não prepararam sucessores para elas, estão tendo uma dificuldade maior. Por outro lado, está entrando nas empresas uma mão de obra qualificada que está acostumada, principalmente, com a velocidade em que as coisas mudam. Essa geração tem uma necessidade constante de buscar inovação.

Em quais áreas da atividade profissional e empresarial tornou-se mais urgente e necessária a inovação: gerencial, produção, marketing, controle de processos etc?
Post - Todas elas. Infelizmente as pessoas confundem ou acabam relacionando muito inovação com tecnologia. Inovação é tudo que é feito de novo que venha a gerar algum resultado positivo efetivo. Também acham que a inovação tem que aparecer no produto, neste caso não seria possível inovar em uma empresa que produz prego, por exemplo. A inovação pode estar presente em um processo, na forma de gestão ou na forma de atendimento. A inovação também não é algo fácil e rápido de implantar, não se faz por decreto, requer tempo, dedicação e muito investimento. Você tem que criar um ambiente inovador para que as pessoas se sintam desafiadas a inovar. Importantíssimo estarmos conscientes que precisamos pensar diferente, treinar nossas mentes para encontrar caminhos diferentes para resolver problemas cotidianos. Você nunca inovará caso executar qualquer coisa sempre da mesma forma, que tal começar se desafiando a terminar um trabalho simples na metade do tempo?

Na sua avaliação, quais os setores que estão na vanguarda da inovação em Chapecó?
Post - Temos dois setores que estão se destacando: a indústria do software e a indústria de bens intermediários. As empresas de software têm uma maior facilidade para inovar primeiro porque não há opção, se não inovar de uma hora para outra está fora do mercado, mas felizmente em Chapecó estamos do lado oposto, é resultado de muito investimento, principalmente em capacitação. Além disso, há um esforço enorme do setor que há algum tempo se uniu e trabalha muito fortemente para auxiliar os empresários a estarem atentos a todas as mudanças. Em Chapecó, a indústria que abastece o setor agroindustrial também investe muito em inovação e o resultado é que várias delas se destacam internacionalmente. Podemos confirmar essa minha opinião na próxima Mercoagro, que será realizada em setembro. A procura dos expositores é reflexo da necessidade de ter um canal mais próximo ao potencial cliente para mostrar seus produtos inovadores e, uma feira especializada é uma das melhores oportunidades. Outra forma de despertar o interesse por inovar é conhecer novos lugares, participar de feiras e eventos e missões empresariais.

Nessa mesma linha de identificação dos setores de vanguarda, quais aqueles mais resistentes à inovação?
Post - Neste ponto quero citar a crise e de forma positiva. A crise sempre foi uma ótima oportunidade para que os empresários busquem soluções para melhorar os resultados, sendo vendendo mais ou reduzindo custos para manter margem positiva. Outro fator que obriga o empresário a inovar é a concorrência. Acredito que o comércio poderia estar inovando mais rapidamente, setores pontuais de serviço também tendem a ter mais dificuldade em inovar. Existem muitos fatores para que esse processo não seja fácil, inicia com a falta de capacitação dos próprios empreendedores. Outro fator determinante que dificulta a implantação de um ambiente inovador é a burocracia e a leis trabalhistas. No Brasil, por exemplo, não é possível um funcionário trabalhar a hora que ele quiser como nos EUA. A indústria de alimentos também está investindo muito em pesquisa e desenvolvimento, mas não consegue inovar e somente 18% acaba tendo resultado efetivo. Além disso, por diversos fatores, o pequeno negócio tem uma dificuldade enorme para investir em inovação e as políticas de fomento ou financiamento hoje são praticamente inalcançáveis.

Quais as instituições que, atualmente, prestam a melhor cooperação com as empresas na conquista de níveis ideais de inovação?
Post - O papel das universidades é fundamental e estarem próximas das empresas é decisivo para criar um ambiente inovador. Qualquer lugar no mundo que se destaque neste sentido possui fortemente uma cooperação (não somente parceria) no formato de tríplice-hélice, onde estão envolvidos setor empresarial, governo e universidades. Santa Catarina hoje comprovadamente vem se destacando e tornando-se modelo no quesito inovação. O Governo do Estado vem investindo pesado para isso. Vários projetos vêm sendo mantidos como o Inova@SC, GeraçãoTEC e Sinapse. Outro passo importante que o Estado vem dando é na implantação de diversos centros de inovação. Também existe um esforço enorme das entidades empresarias, em parceria público-privada, em estabelecer uma rede de inovação através do Recepeti (Rede Catarinense de Inovação). Percebe-se que as entidades empresariais vêm habilidosamente incentivando e oferecendo proposições essenciais aos empresários, principalmente mostrando caminhos, por meio da realização de capacitações, missões empresariais, feiras e eventos, com o objetivo de reforçar a necessidade de o empresário estar em constante estágio inovador.

A ACIC vem defendendo há anos a construção de uma rede de cooperação em favor da inovação que inclui a DEATEC, o Núcleo de Inovação e as universidades. Qual sua avaliação sobre esse trabalho? Quais os avanços já conquistados?
Post - Essencial. Como diretor de Inovação da ACIC, defendo veementemente que ações como essas deveriam ser prioridades na pauta da entidade. Precisamos incentivar a inovação e por meio dela conseguiremos agregar valor aos produtos e serviços. Precisamos transformar nossa indústria. Hoje o Brasil inteiro é sinônimo de produtor de commodities, ou seja, produtos in-natura ou que não passam por uma transformação muito grande. Precisamos manufaturar, incluir conhecimento, com isso agregaremos valor. Essa transformação só acontecerá com inovação. Esta cooperação entre entidades é fundamental para conseguirmos atingir este patamar.

Qual a efetiva contribuição que o Polo Tecnológico – em fase final de construção – dará ao desenvolvimento empresarial de Chapecó e do oeste de SC?
Post - Os empresários, principalmente nucleados do NTIC (Núcleo de Tecnologia da Informação e Comunicação da ACIC) e associados à DEATEC (Associação Polo Tecnológico do Oeste Catarinense) há muitos anos vem projetando ações para fortalecer um ciclo que começa na universidade. A implantação do Parque Tecnológico (Centro de Inovação) vem atender uma demanda reprimida no sentido de pesquisa e desenvolvimento. Empresas de toda a região encontrarão oportunidades neste parque e toda uma estrutura física, pessoal e principalmente de conhecimento para isso. Além disso, jovens estudantes ou não poderão incubar ideias e empresas poderão acelerar seus negócios em um ambiente propício. Esse modelo já existe nas universidades locais, mas agora acredito que será potencializado exponencialmente. Para fechar o ciclo existe a Lei da Inovação.

Como o senhor avalia a proposta de um Distrito de Inovação, um condomínio tecnológico que reuniria as empresas de Tecnologia da Informação (TI) e forneceria estrutura necessária para criar um ecossistema de fomento à inovação, proposto pela DEATEC?
Post - O Distrito de Inovação é hoje o único projeto consistente e ousado, na minha opinião, de desenvolvimento econômico para a cidade de Chapecó. Precisamos consolidar esta matriz econômica que se baseia em inovação, conhecimento e tecnologia e que não é “nova”, como muitos dizem. Existem inúmeras empresas que já se destacam inclusive internacionalmente. Empresas que empregam mão de obra altamente qualificada e geram produtos/serviço de alto valor agregado. Este setor demanda de muito conhecimento, o que impulsiona o setor de ensino, é uma indústria limpa, pois produz conhecimento, e para crescer o principal fator necessário são pessoas qualificadas. O Distrito será um espaço onde essas empresas se estabelecerão e compartilharão de estruturas e serviços comuns.

A Lei de Inovação de Chapecó, sancionada em 2013, tem produzido resultados – por meio da Política Municipal de Incentivo à Inovação Tecnológica, que estabeleceu o Programa Municipal de Incentivo à Ciência, Tecnologia e Inovação (ÍON), visando conceder incentivos fiscais, estímulos materiais e transferência de áreas institucionais do Poder Público – para as empresas do setor de TI?
Post - A atitude da administração e de todos os envolvidos na criação desta lei é louvável, pois este tipo de lei existe em poucos municípios do Brasil e da forma que ele foi construído se tornou modelo, mas os resultados produzidos efetivamente são poucos. Recentemente foi criado o Conselho de Inovação, que terá, dentre várias funções, o papel de fomentar a sua utilização por parte dos interessados, avaliar e aprovar o investimento. Tenho certeza que após a consolidação desse Conselho o acesso vai ser facilitado e veremos resultados positivos.

Em matéria de inovação, na esfera do município de Chapecó, o que ainda pode ser feito para acelerar o desenvolvimento empresarial em todas as áreas da atividade econômica?
Post - Estamos no caminho certo. Precisamos efetivar todas as ações em andamento. Se todos os agentes envolvidos continuarem neste ritmo de cooperação estamos criando o ambiente necessário para nos destacarmos ainda mais no quesito de inovação. O desafio maior é federal, temos que retomar o crescimento e criar políticas que deem condições a pequenas empresas investirem em inovação e tecnologia.

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