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Postado em 05 de Abril às 14h43

As empresas precisam se reinventar constantemente para atender as exigências do novo consumidor

  • ACIC CHAPECÓ -

Por Lenior Broch
 

As mudanças ocorrem cada vez mais rápidas e as pessoas e empresas precisam se adaptar para atender as novas exigências profissionais e pessoais. As organizações contemporâneas precisam mudar em função de pressões externas e internas, pois não é somente o mercado que está em transformação, mas a relação no trabalho também, seja pelas novas tecnologias, seja pelas mudanças culturais que chegam com as novas gerações. Para enfrentar esses desafios é fundamental ter uma excelente gestão. Nesta entrevista, o diretor Administrativo da ACIC, Lenoir Broch, explana o assunto.

Quais são atualmente os principais desafios da gestão empresarial?
Talvez pudéssemos chamar a imprevisibilidade como palavra de ordem. Os desafios são inúmeros como: recursos humanos, produto, mercado, logística, infraestrutura, encargos e outros em que o empreendedor deve estar atento e preparado para surpresas. Contudo, um dos principais desafios a transpor são as atitudes de Estado, que diariamente nos surpreende com medidas protecionistas ou simplesmente para proteger interesses diversos (ex: tomada de três pinos com medidas diferentes). Vencer a burocracia cartorial é também uma das mais urgentes tarefas. A burocracia dos cartórios é cara e inútil porque não traz nenhum benefício concreto para a empresa, o cidadão ou a sociedade. Temos problemas com comunicação, energia elétrica e logística, que são graves, mas nos acostumamos a isso também. Basta atravessar a fronteira próxima para perceber as diferenças. Pagamos tributos caros a governos perdulários que não se cansam de iludir o contribuinte lhe devolvendo serviços de péssima qualidade e atendimento.
Porém, desafios são sempre bem vindos. Afinal, é assim que se revelam os grandes e bons empreendedores que conseguem obter resultados e manter vivo seu negócio.

Como lidar com as mudanças tecnológicas e compreender as mutações do mercado?
Temos ouvido muito que no prazo de 20 anos, praticamente 60% das atividades, serviços ou profissões existentes atualmente não existirão mais. Que algumas atividades como Medicina e Direito até deixarão de existir. Eu particularmente discordo muito dessa visão. Podemos admitir sim, que algumas especialidades de cada área poderão ser substituídas pelas novas tecnologias.
Mas devem surgir novas demandas e, como somos humanos, falíveis e naturalmente diferentes uns dos outros, será necessária legislação pertinente e profissionais diferentes. A partir da revolução industrial as mudanças já vêm ocorrendo rapidamente, mas a velocidade é potencialmente maior agora em função da evolução tecnológica. Temos que encontrar formas de nos adequar a este movimento. A região Oeste já demonstra esta força, com espírito curioso e inovador em muitas áreas. Tenho certeza que vamos surpreender, pois o Oeste aprendeu a navegar sozinho em águas turbulentas. Com muito trabalho e associativismo fortalecido aprendemos a usar a bússola na direção correta.

Por que é importante acompanhar as tendências mundiais?
Vivemos um mundo de mercado globalizado e aberto. Nosso produto ou serviço pode ser visto ou contratado por alguém do outro lado do planeta em um piscar de olhos. Novos produtos e novos consumidores nos são apresentados diariamente. Precisamos estar preparados para atender novas demandas sob pena de sucumbirmos. As empresas precisam se reinventar constantemente para atender as exigências do novo consumidor. Mas novamente somos vanguarda em muitas coisas. Principalmente nossa agroindústria, que cresce constantemente. Os insumos e agregados desta atividade são na sua maioria produzidos aqui. Resolvido o problema grave de logística que ainda temos, com certeza iremos crescer de maneira abundante e contínua por um bom período.


Gerir pessoas é um dos grandes desafios para muitas empresas e profissionais. O que é preciso levar em conta neste processo? Qual é o maior desafio da gestão de pessoas?
O futuro do trabalho tende a resgatar cada vez mais o que temos de humano. Acredito que a tolerância em qualquer situação é sempre o grande desafio. Afinal, tendemos a ter ao longo dos tempos uma nova figura entre as pessoas que é a nova tecnologia e a automação. Mas capacidade para raciocinar, discutir, divergir, concordar, conhecer, ter capacidade cognitiva, estar conectado ao mercado e ao consumidor serão sempre características necessárias às pessoas.

Qual é a importância do líder para engajamento dos colaboradores?
Líder é aquele que convence, sensibiliza, abona, motiva e mostra o caminho. É aquele que faz o colaborador se apaixonar pelo que está fazendo ou pelo resultado pbtido. É da mesma importância que a sobrevivência do negócio. Talvez o perfil do novo líder mude com o tempo, afinal as especificidades do trabalho tendem a ser entregues às máquinas. Contudo, a decisão, a informação e os dados deverão ser repassados por pessoas. O papel do líder é fundamental para organizar e orientar este conhecimento para o futuro do negócio, da empresa ou da instituição.
Mais uma vez o associativismo latente na nossa região produz novos líderes constantemente e permite a reinserção no mercado de trabalho de bons profissionais com conhecimento nas mais diversas áreas.

Como as empresas que ainda não tem práticas de gestão voltadas para o desenvolvimento e capacitação dos colaboradores podem começar a desenvolvê-las?
Acredito que tudo deve ocorrer de forma associativa, por meio das entidades de classe compartilhando informações para buscar a melhoria contínua. Devemos formar pessoas capazes de lidar com esta nova revolução do trabalho e do negócio, mas jamais deixar de lhes oportunizar a demonstrar seus perfis pessoais, suas ambições e vontade de crescer.

A sucessão empresarial deve ser uma preocupação para os gestores?
Como envolver e engajar os possíveis sucessores no negócio?

Suceder é uma arte. A arte de repetir do seu jeito, replicar com competência, refazer com sua maneira, mas com incrementos. Sucessores não gostam do que veem quando seus pais entram em casa. Cansados, muitas vezes desanimados, pensando em um jeito de estar feliz sem tantas mazelas a importunar todos os dias. Tudo deve começar cedo quando a sucessão é familiar, com a prática, o desenvolvimento do interesse e, sobretudo, a paixão pelo negócio desenvolvido. O sucessor deve ter a competência somada a do antecessor, mais a sua característica própria para conduzir.

Qual dica você dá para os empreendedores que estão iniciando ou querem iniciar o próprio negócio?
Persistência, dedicação, análise de riscos, custo/benefício, conhecer as normas regulamentadoras da atividade, ter noções de contabilidade etc são características fundamentais.
O empreendedor deve estar preocupado com todas as variáveis. Garantir seu planejamento estratégico para tomar as decisões de maneira planejada e garantir fluxo de caixa para não ficar na dependência de terceiros. Estar atento ao mercado de maneira geral. Devemos ter planejamento longevo, mas nunca engessado, afinal as variáveis são muitas e rápidas. Não perder o foco no negócio e nas possibilidades, ter uma boa rede de contatos e influências e participar ativamente das atividades da comunidade e da associação.

Neste cenário de constantes mudanças, qual é o papel da ACIC?
Acho que o papel da ACIC é congregar esforços, defender interesses da categoria, difundir conhecimento, trazer as pessoas competentes e responsáveis por mostrar as novas oportunidades. Fazer o associado ver que o segredo do negócio está na dedicação e vontade de trabalhar. A única forma de crescer protegidos e com garantia é a autossuficiência. Somos fortes e competentes e temos condições de vencer os desafios, mas com muita luta e sacrifício. 

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