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Postado em 12 de Julho às 09h27

Você está preparado para trabalhar no século XXI?

Informações e Negócios (17)
  • ACIC CHAPECÓ -

Estudos de consultorias e instituições internacionais sobre o  mercado de trabalho  podem até divergir quanto aos números, mas convergem sobre uma tendência: a eliminação crescente de funções, ameaça aos empregos.

No Brasil temos dois estudos: um da  Universidade de Brasília indicando que 54% das funções no Brasil têm probabilidade de serem eliminadas até 2026 ; e do IPEA, órgão ligado ao Ministério do Planejamento, indicando que mais de 50% das funções serão eliminadas até 2050, ou seja, 35 milhões de trabalhadores formais correm risco de perder seus empregos para a automação. Por outro lado, com 13% de taxa de desemprego, as empresas enfrentam dificuldade de preencher vagas em aberto por falta de candidatos qualificados.


As projeções são de um mercado de trabalho cada vez mais desigual, com as funções de alto desempenho extremamente lucrativas e as demais com perdas salariais ou eliminadas pela automação. O grupo de elite americano, por exemplo, quase dobrou sua participação na renda nacional entre 1980 e 2016; em 2017, o  1% mais rico dos americanos detinha quase o dobro de riqueza dos 90% mais pobres .

O  Uber  ilustra bem o que está por vir. O número de motoristas cadastrados cresceu em 50% entre 2016-2018 (50 milhões para 100 milhões). No Brasil são cerca de 600 mil motoristas; o pleno sucesso de seu projeto de carro autônomo, em teste em várias cidades, gerará um lucro extraordinário aos seus acionistas e uma perda total para os seus motoristas. A automação inteligente vai invadir o varejo, as transportadoras, os bancos, e uma infinidade de funções em quase todos os setores, atingindo fortemente a classe média. 


Diferente de tecnologias disruptivas anteriores, os novos modelos de negócio não são intensivos em mão-de-obra. No processo de automação das fábricas no século passado, por exemplo, os trabalhadores dispensados tinham como alternativa o setor de serviços, em plena expansão. A Economia de Dados não oferece muitas alternativas. A montadora GM demorou 70 anos para gerar um lucro de U$ 11 bilhões com 840 mil funcionários, e o Google precisou de meros 14 anos para lucrar U$ 14 bilhões com 38 mil funcionários. O exemplo talvez mais emblemático: em 2012 a Kodak abriu falência com 19 mil funcionários, após chegar a ter 145 mil funcionários; no mesmo ano, o  Instagram  foi comprado pelo  Facebook por US$ 1 bilhão e tinha apenas 13 funcionários.

Na competição entre o trabalhador humano e o “trabalhador máquina”, os humanos estão em desvantagem: A manutenção dos robôs é mais barata, as máquinas trabalham quase que em modo contínuo (sem descanso, sem férias, sem doenças), com um custo médio menor por hora trabalhada (US$ 49 para os profissionais na Alemanha e US$ 36 nos EUA, contra US$ 4 do “robô”); as máquinas inteligentes se aperfeiçoam automaticamente e continuamente e o custo de reproduzi-las é significativamente menor do que o custo de treinar profissionais humanos para as mesmas funções.
As transformações no mercado de trabalho não advêm exclusivamente da automação inteligente, mas igualmente de novas configurações como home office e contratação por projeto (“pejorização”). Outro fator é a categoria chamada “gig economy” - plataformas e aplicativos on-line, freelancers; os aplicativos Uber, iFood, Rappi e 99, são hoje o maior empregador do país, com cerca de 3,8 milhões de trabalhadores, representando 17% dos 23,8 milhões de trabalhadores autônomos, segundo o IBGE. A tendência é as empresas reduzirem o número  de empregados fixos, regidos pelas leis trabalhistas como CLT, com redução de custos e ganhos de eficiência, inclusive na qualidade do serviço prestado.


As profissões- chave no mercado de trabalho dos próximos anos são analista de dados, cientista de dados, desenvolvedores de software e aplicativos, especialista em comércio eletrônico, especialista em mídias sociais, profissional de IA com ênfase em aprendizado de máquina, especialista em Big Data, analista de segurança da informação e engenheiro de robótica. Em paralelo, existe um grande potencial em funções centradas em habilidades humanas, como atendimento ao cliente, vendas e marketing, treinamento e desenvolvimento de pessoas e cultura, gestão da inovação, e desenvolvimento organizacional. Até 2020, mais de 1/3 das habilidades essenciais para a maioria das ocupações serão habilidades que ainda não são cruciais para o trabalho atual.

Para não perder a relevância econômica e social no século XXI, o desafio é identificar quais as habilidades necessárias para que o “robô" não roube seu emprego, e se capacitar. Lição de casa: liste todas as funções/tarefas desempenhadas no seu trabalho, agrupe em colunas as mais sucetíveis à automação e as que requerem habilidades ainda exclusivamente humanas, e prepare-se para desempenhar melhor essas últimas.

* Por Dora Kaufman é pós-Doutora COPPE-UFRJ (2017) e TIDD PUC-SP (2019), Doutora ECA-USP com período na Université Paris – Sorbonne IV. Autora dos livros “O Despertar de Gulliver: os desafios das empresas nas redes digitais” (2017), e “A inteligência artificial irá suplantar a inteligência humana?” (2019). Professora convidada da FDC e professora PUC-SP.

 
Fonte: Época Negócios
Foto: Reprodução/Pexel

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