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Postado em 01 de Setembro de 2016 às 16h45

Agronegócio se consolida como alavanca para retomada do crescimento econômico brasileiro

A agricultura e o agronegócio constituem um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira, cujos superávits na balança comercial dão, há mais de 20 anos, estabilidade ao País. São sucessivos superávits de 100 bilhões de dólares ao ano que salvam a balança comercial.
Em 2015, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu -3,8% e a indústria -6,5%, a agricultura cresceu +1,8%. A agropecuária ocupa 27% do território brasileiro e preserva 61% da vegetação, representa 23% do PIB, sustenta 25% dos empregos e responde por 46% das exportações – por isso, pode e deve influenciar o futuro do País.
Essa realidade está particularmente presente em Santa Catarina, que tem uma das mais avançadas indústrias de processamento de carnes do mundo. Esse status resulta da associação de seis fatores essenciais: recursos naturais, disponibilidade de grãos, sistema de produção integrada indústria/criador, privilegiado e reconhecido status sanitário, flexibilidade e variedade de mercados e permanente investimento em tecnologia. Os produtores e as indústrias atingiram um saudável ponto de equilíbrio, resultado da aprendizagem – depois de décadas de erros – sobre os efeitos perversos da gangorra (picos de alta e de baixa produção na proporção inversa de altos e baixos ganhos).
Entretanto, nem tudo são flores. Obstáculos à exportação continuarão sendo as deficiências logísticas. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, entre 148 países pesquisados, o Brasil está em 71o lugar em termos de infraestrutura, na educação e treinamento de mão de obra em 72a posição e, em eficiência de mão de obra, 92o lugar. A verdade é que as péssimas condições de infraestrutura destroçam a eficiência e competitividade obtida “dentro das porteiras” em face da inexistência e/ou das más condições das rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, comunicações e geração de energia. A ACIC tem atuado fortemente nas reivindicações de investimentos na infraestruturação regional, em especial nas áreas de ferrovias (Chapecó-Itajaí e Chapecó-Brasil central) e de rodovias (duplicação das BRs 282 e 470).
O dólar elevado implica em aumento dos custos de produção no campo e na indústria porque grande parte dos insumos – especialmente milho e farelo de soja para nutrição animal, equipamentos, embalagens, aminoácidos etc – são cotados em dólar. É errôneo afirmar que a agricultura exportacionista e a agroindústria têm lucros automáticos com o aumento do dólar.
O agronegócio é o orgulho de Santa Catarina e luta tenazmente para avançar no mercado mundial, dominado por gigantescos grupos econômicos. Essa concentração gera um dilema – como manter competitivos os pequenos e médios produtores rurais e pequenas e médias agroindústrias nesse mercado concorrente e hostil.
Por isso, foi um erro da diplomacia brasileira não ter acompanhado, negociado ou participado das tratativas que resultaram na aprovação do acordo que criou o Mercado Comum do Pacífico. Teme-se, agora, que o Brasil perca mercado para suas carnes. Observe-se que 90% da carne de frango importada pelos japoneses são brasileira, mas esse mercado pode ser abastecido pelo frango norte-americano, pois Japão e Estados Unidos são, agora, parceiros do Acordo Transpacífico.
O maior patrimônio da agropecuária catarinense é o seu status sanitário como área livre de febre aftosa e peste suína clássica sem vacinação. Essa é uma condição única no Brasil e vem assegurando a conquista de mercados internacionais. A manutenção desse status depende da ação conjunta dos criadores, das agroindústrias e do serviço de inspeção sanitária do governo estadual.
Apesar das dificuldades que marcam o cenário econômico, o setor primário da economia tem um ano relativamente bom para as cadeias produtivas de suínos, aves e leite. O segmento de carnes vive um bom ano com crescentes exportações de carnes bovina, suína e de aves. A eclosão de epizootias em alguns países favorece o Brasil, que aproveita os resultados da conjugação de vários fatores: qualidade reconhecida, preço competitivo, capacidade de produção e relativa escassez de carne no mercado mundial. Novos mercados surgirão no continente asiático; a China voltará a crescer e a Índia caminha para se tornar grande parceiro comercial.
As perspectivas e tendências para o consumo mundial de proteínas são alvissareiras. Não há mais dúvidas de que os países em desenvolvimento irão catapultar a demanda futura por carne. África e Ásia concentrarão cerca de 90% do crescimento demográfico até 2020. Em face desse quadro, a FAO e a OCDE projetam vigoroso crescimento no consumo mundial de alimentos para o horizonte de 2022: a demanda por carne suína crescerá 13%, de carne de aves 19% e de carne bovina 14%, de cereais 15%, de oleaginosas 20% e de lácteos 20%.
Os Estados com maior participação no esforço exportacionista são Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Paraná, Minas Gerais, depois, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Mato Grosso. Os principais destinos são Rússia, Hong Kong, Angola, Singapura e Uruguai, além de outros mercados.
Grande gerador de riquezas econômicas exportáveis, empregador intensivista de recursos humanos e detentor de elevador nível de sustentabilidade, a agricultura e o agronegócio continuarão exercendo, nas próximas décadas, os papéis de locomotivas do desenvolvimento de Santa Catarina e do Brasil.

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