NOTÍCIAS

Postado em 28 de Abril de 2017 às 09h15

Entrevista: Gilson Carlos Confortin

Entrevista (3)
ACIC CHAPECÓ 70 anos da ACIC, 100 anos de Chapecó O município de Chapecó completa em 2017 o centenário. Desde sua fundação, passou por diversos ciclos econômicos: iniciou com a...

70 anos da ACIC, 100 anos de Chapecó

O município de Chapecó completa em 2017 o centenário. Desde sua fundação, passou por diversos ciclos econômicos: iniciou com a extração de madeira até se solidificar como um importante polo da agroindústria mundial. Atualmente, a economia é diversificada, com destaque também para os serviços, comércio, tecnologia, educação, entre outros.
O empresário Gilson Carlos Confortin, que atua no município desde a década de 1980, lembra um pouco da história de Chapecó nesta entrevista. Graduado em estudos sociais, Confortin é empresário do ramo de distribuição de produtos agropecuários. É diretor da Confortin Comércio e Representações, atuou na Câmara Júnior, é o atual 2º vice-presidente da Diretoria Executiva e foi presidente do Conselho Deliberativo da Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC). Integrou clubes sociais, entidades filantrópicas e associações de Chapecó.

Poderia descrever sucintamente como era Chapecó na década de 1970, quando o senhor iniciou sua vida profissional?

Gilson Carlos Confortin - Após Chapecó comemorar seu cinquentenário, houve um novo ciclo econômico para nossa cidade e região. Na educação a criação do curso técnico científico e a criação da nossa primeira faculdade, a Fundeste; o esporte a realização pela primeira vez dos Jogos Abertos em Chapecó; na indústria a implantação da Sadia, hoje BRF, Avícola, Increal, Extrafino, da compra pela Coopercentral do antigo Frigorífico Marafon e sua consequente reativação; na infraestrutura e transportes, a construção da BR-282, a construção da ponte do Goio-Ên; nas comunicações a chegada da sucursal de TV coligadas. Em outras obras diversas, a construção da Penitenciária Agrícola, o novo prédio da Secretaria dos Negócios do Oeste (SNO) e outros tantos eventos importantes que colocaram de vez Chapecó no contexto estadual e federal.

Como era a economia do município?

Confortin - A falta de estradas deixava a região extremamente limitada, pensando em uma economia de longo alcance. Nossos caminhões tinham que ir a Pato Branco ou a Curitibanos para chegar ao asfalto. Até lá, quando chovia, só acorrentados. Tínhamos uma economia industrial pequena, com várias madeireiras que extraíam e serravam, alguns comércios de secos e molhados com compra e venda de cereais e suínos. Já existiam revendas de automóveis, utilitários e caminhões.

Quem eram os empresários e líderes mais influentes?

Confortin - Vários chapecoenses contribuíram para o município crescer e chegar onde se encontra hoje. Acredito, porém, que o grande responsável foi a comunidade chapecoense que se uniu, participou e colaborou de maneira intensa no nosso crescimento. Cito, entretanto, alguns líderes que, com visão empresarial acurada, capitanearam o desenvolvimento na época como Plínio de Nes, Jacob Gisi, Auri Bodanesi, Serafim Bertaso, famílias Tozzo, De Marco, Sperandio, Casas Vitória, Lojas Pernambucanas, Casas Néri e dois grandes prefeitos que tivemos: Altair Wagner e Milton Sander.

Como foi evoluindo ao longo do tempo a economia local e regional?
Confortin - O crescimento acentuado que essas novas empresas e instituições trouxeram para Chapecó também fomentou a vinda de empresas paralelas de prestação de serviço de equipamentos agregados e de produtos complementares. Criou-se um polo de gráficas, fábricas de equipamentos frigoríficos, medicina e também com a vinda de outras instituições um polo de professores e pesquisadores. Implementou-se o asfaltamento de novas rodovias, melhorando o escoamento da produção regional.

Quando o senhor criou a empresa, na década de 1980/1990, o que mudou na economia local-regional?
Confortin - Quando criamos a nossa empresa, em 1986, o agronegócio regional baseava-se basicamente na avicultura e na suinocultura. O segmento ‘Pet’ era incipiente e a produção leiteira em maior escala existia em poucas cidades da região, como Treze Tílias, Concórdia, Itapiranga e São José do Cedro. Hoje, a atividade que mais emprega é a produção leiteira, que além de tudo exerce uma função social de grande valor. Criaram-se novos polos industriais como Pinhalzinho, Maravilha, Quilombo, Coronel Freitas e São Miguel do Oeste.

Qual setor da economia é mais dinâmico?
Confortin - É muito difícil escolher o mais dinâmico. Entendemos que todos os setores são muito importantes e precisam ser competentes. A sobrevivência depende de ações pontuais e assertivas, pois ao contrário o insucesso é muito acelerado e retira do mercado rapidamente.

O que mais marcou sua vida profissional e empresarial em Chapecó?
Confortin - O relacionamento. É impossível hoje ter sucesso sem nos relacionarmos com o mercado, com os fornecedores, com os clientes e com a equipe de trabalho. Conseguimos, pela nossa expertise, compreender muito bem o mercado onde estamos inseridos.

Atualmente, nos festejos dos 70 anos da ACIC e nos 100 anos de Chapecó, quais são os verdadeiros desafios do município?
Confortin - Antes de buscarmos novas matrizes econômicas, precisamos manter e fortalecer as já existentes. É imprescindível acrescentar o modal ferroviário para trazermos matéria-prima do Centro Oeste, melhorar e duplicar nossas principais rodovias, ampliar o aeroporto. Então poderemos buscar o implemento e a diversificação de nosso parque industrial. Precisamos, logicamente, de mais segurança econômica e política, aperfeiçoar a educação, tornando a segurança mais efetiva.

Veja também

Lucro a partir da otimização do estoque05/06/14 “Apesar de ser um assunto complexo, o instrutor conseguiu utilizar uma linguagem acessível e tornar todos os conteúdos aplicáveis à realidade”, disse o comprador da empresa do ramo de eletrônica Medsy Brasil, Daniel Hubner. Há dois anos na área, Hubner disse que pretende, junto com dois colegas da empresa que participaram do curso, aplicar todos os......
Para onde vai seu dinheiro?09/08/13 Algumas pessoas não sabem ou precisam pensar muito antes de responder no que o seu dinheiro está sendo aplicado. De acordo com o instrutor Airton Luiz Rigotto, que ministrou o curso “Fluxo de caixa – ferramenta para tomada de......

Voltar para Notícias