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Postado em 11 de Setembro de 2013 às 16h09

“A vocação de Chapecó é ser grande”

Nesta entrevista, o diretor de desenvolvimento agroindustrial e de agronegócio da ACIC, Gustavo Müller Martins, fala sobre as perspectivas para o desenvolvimento da maior cidade do Oeste. Gustavo é engenheiro mecânico e mestre em Administração de empresas – Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Martins é sócio-proprietário das empresas Domino Sul Equipamentos Ltda; Soma Sul Equipamentos Ltda; MMV Importadora e Empório MMV.



Qual é a sua avaliação sobre o atual estágio de desenvolvimento econômico de Chapecó?

Gustavo Müller Martins - Penso que a cidade de Chapecó vem numa evolução muito importante, economicamente, nos últimos dez anos. De uma das importantes cidades do oeste catarinense, já se tornou uma cidade polo da região sul do Brasil. As agroindústrias e as indústrias de equipamentos e bens de capital ligados ao setor agroindustrial são as molas propulsoras da economia de Chapecó. Outro ponto importante a se destacar são os prestadores de serviços na área da educação e serviços médicos de alto nível. Estes setores trazem muito dinheiro para a economia de Chapecó. O comércio de Chapecó é muito diversificado e competitivo. Desta forma, entendo que nada mais segura a economia de Chapecó.



As deficiências de infraestrutura da região atrapalham/dificultam o crescimento de Chapecó como município-polo?

Martins - As deficiências na infraestrura são, sem sombra de dúvidas, o principal problema no crescimento de Chapecó e da região. Dentre as deficiências, o problema do custo com a logística é o principal. O custo para a matéria-prima chegar até Chapecó é muito alto. E depois, temos os altos custos de distribuição para os grandes centros. Mesmo com todas essas dificuldades logísticas, somos uma cidade que cresce acima da média nacional. Eu imagino, se nossa região recebesse maior atenção por parte do Estado na resolução dos gargalos logísticos, onde já estaríamos?



Quais são, na sua opinião, as principais deficiências em infraestrutura do oeste de SC?

Martins - Em primeiro lugar, não temos vias de escoamento adequadas para a nossa produção. A única alternativa que temos são estradas simples, perigosas e antigas que foram planejadas e projetadas há várias décadas e que, hoje, contam com uma péssima conservação e sinalização. Ferrovia é um sonho que estamos sonhando juntos e queremos que aconteça. Mas que ainda quero ver sair do papel. Para a nossa região, ferrovia é a solução para logística. O transporte aéreo na nossa região é muito importante, porém, não supre a falta das ferrovias pelo nosso modal de produção.



As classes políticas e empresariais estão suficientemente articuladas e organizadas para reivindicar os investimentos necessários para suprir essas deficiências?

Martins - O grande problema no Brasil é a falta de planejamento, de visão de longo prazo. Um país ou uma cidade é como uma empresa, deve ser administrado com planejamento. O Governo só atua como “bombeiro apagando incêndios”. Vejam o que ocorreu, agora ,com as últimas manifestações da população nas ruas. De repente o Governo se deu conta de que necessita criar planos emergenciais para tentar calar as ruas e resolver os problemas que já conhecemos. Basta de planos emergenciais. Infelizmente, o Governo em Brasília não pensa no país como conjunto, como Nação, no longo prazo. Parece-me que Brasília fica em outro planeta. As classes empresariais brasileiras tentam se articular para reivindicar os investimentos necessários para suprir nossas deficiências. Porém, sofremos da ineficiência da gestão pública. Desta forma, vivemos resolvendo os problemas de rotina. Apagando incêndios diariamente. Somos vítimas de nós mesmos.





O Sr. acredita que uma política pública para atração de empreendimentos empresariais para Chapecó pode alavancar o desenvolvimento do município?

Martins - Penso que, atualmente, as políticas públicas de Chapecó estão alinhadas com o desenvolvimento econômico das empresas e da cidade. Para conseguirmos atrair mais investimentos no setor industrial, por exemplo, necessitamos melhorar a infraestrutura da região. O governo municipal deve estar alinhado como o estadual e o federal. Basta de brigas políticas entre partidos que só pensam nas próximas eleições. Estas brigas políticas prejudicam o planejamento de longo prazo de uma cidade e região.



Os empresários JÁ instalados no município contam com programas de apoio das esferas estadual, federal e municipal para expansão de suas atividades? Qual a eficácia dessas políticas?

Martins - Na minha visão, não existe um alinhamento nos programas de apoio das esferas estadual, federal e municipal. Estamos evoluindo neste sentido, mas ainda falta muito planejamento e comprometimento dos governantes.



Nesse momento, o ambiente brasileiro é favorável a expansão dos negócios ou o cenário é ameaçador?

Martins - Infelizmente o Brasil perdeu novamente uma boa oportunidade de realmente crescer economicamente. À pouco tempo, o Brasil era considerado a “bola de vez” na economia mundial. Mas perdemos a oportunidade e não marcamos o gol. Faltou fazer o tema de casa. Ou seja, faltou planejamento de médio e longo prazo. Faltou atenção na educação da nossa força de trabalho. Temos que formar mais técnicos, mais engenheiros, mais físicos, mais matemáticos. Necessitamos administradores técnicos, não políticos. Faltou resolver o custo Brasil. Faltou ajustar e reduzir a alta carga tributária cobrada pelo Governo e melhorar a Gestão Pública.



A matriz econômica de Chapecó continuará se diversificando? Os setores da economia de Chapecó que foram destaques nos últimos anos, continuarão a sê-los na próxima década?

Martins - Sim, eu acredito que a matriz econômica de Chapecó irá se diversificar. Todavia, os tradicionais setores industriais, como a agroindústria, continuarão a se reinventar para permanecerem na região. Entretanto, para trazermos novas plantas agroindustriais para a cidade, necessitamos resolver, principalmente, o problema do custo de transporte da matéria-prima. Ou seja, sem ferrovias não vamos crescer neste segmento. Por outro lado, temos outros setores industriais que estão começando a se instalar em Chapecó. Indústrias que irão fabricar produtos com maior valor agregado, como eletro-eletrônico. Estes setores estão crescendo, fruto da capacidade e tenacidade dos empresários chapecoenses. Empresários que são diferentes. Não são melhores nem piores que outros no Brasil, mas são determinados e possuem uma bravura difícil de encontrar em outras partes.



Na sua opinião, qual é a real vocação de Chapecó?

Martins - A principal vocação de Chapecó é ser grande! A cidade cresce numa média mais alta do que as demais cidades brasileiras. As pessoas que aqui nascem ou que vieram para cá, como no meu caso, pensam na frente. Nós lutamos pelos nossos objetivos. Somos desbravadores, trabalhadores e competentes naquilo que fazemos.



E quais são as maiores potencialidades e deficiências de Chapecó?

Martins - Acredito que a área de serviços tem um maior potencial de crescimento. Este setor depende um pouco menos dos nossos atuais problemas e dos altos custos de matéria-prima decorrente dos problemas logísticos. Os serviços conseguem se adaptar mais facilmente a estas dificuldades. Entendo que se, no médio prazo, efetivamente, conseguirmos a construção das ferrovias na região, resolvendo problemas de logística, Chapecó poderá crescer ainda muito no setor do agronegócio, pois temos excelência na criação, produção e processamento de proteína animal.

Foto – diretor de desenvolvimento agroindustrial e de agronegócio da ACIC, Gustavo Müller Martins.

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