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Chapecó, SC,


 

27/05/2010

Crise na segurança: insuficiência de policiais é dramática em Chapecó



Em um clima de cobrança por resultados mas, também, de cooperação e respeito, os empresários apresentaram às autoridades policiais veementes reclamações pelo crescimento da criminalidade em Chapecó e as reivindicações para urgente melhoria da segurança pública do município.

O encontro foi promovido pela Associação Comercial e Industrial de Chapecó (Acic) e coordenado pelos empresários Milton Sordi (presidente do Conselho Deliberativo) e João Carlos Stakonski (presidente da diretoria executiva), com a participação de autoridades policiais e uma centena de líderes empresariais. Participaram da reunião a delegada regional da Policia Civil, Tatiana Klein Samuel, os delegados Alex Passos e Fabiano Rizzati Toniazzo e o comandante do 2º Batalhão de Policia Militar, coronel Ricardo de Assis Alves.

Na primeira parte da reunião, o presidente Stakonski resumiu as queixas da população e do empresariado. Reclamou da falta de continuidade na ação policial em razão das constantes mudanças no comando regional da PM e no 2o Batalhão. Pediu mais atividade de investigação e uso de inteligência policial para reprimir a escalada de crimes e condenou a ingerência da política no aparelho estatal catarinense.

O presidente da Acic reclamou da discriminação que Chapecó sofre nos últimos anos em relação a outras cidades catarinenses de menor ou maior porte. “Não houve equilíbrio nem justiça na destinação dos recursos, por isso Chapecó sofre da dramática insuficiência de policiais, enquanto cidades como Joinville e Criciúma receberam centenas de homens, equipamentos e viaturas.”

Em 2003, quando a  população somava 160.000 habitantes, havia 384 policiais-militares; atualmente, com mais de 200.000 habitantes, há apenas 255 PM´s. Para Stakonski, a maior desgraça catarinense foi a entrega da gestão da segurança pública para políticos.

A delegada regional Tatiana Samuel agradeceu o apoio da Acic na conquista de mais policiais civis: depois de muitos anos sem receber reforços, foram destinados 25 policiais para a região, 14 dos quais ficaram em Chapecó para atuar em três DP´s, na Central de Operações Policiais (COP) e na Delegacia da Mulher, Criança, Adolescente e Idoso (DPMCAI). Esse foi o primeiro aumento do efetivo em muitos anos, mas ainda é insuficiente para as necessidades locais.

A delegada informou que em 2009 foram registradas 30.829 ocorrências que resultaram em 969 inquéritos. Em quatro meses de 2010 o número de ocorrências  alcança 9.177 com 662 inquéritos, numa média de 600 boletins de ocorrência (BO´s) por semana.

O comandante do 2o BPM, tenente-coronel Ricardo de Assis Alves, expôs as dificuldades de operação: falta de viaturas, efetivo,instalações físicas adequadas e autonomia administrativa. “A descentralização não chegou à PM”. O oficial reclamou da excessiva ingerência política na corporação, interferindo na destinação de recursos, nas promoções e em outros aspectos da vida militar. Atualmente, há um PM para cada 664 habitantes nos 41 municípios da área de ação do BPM, enquanto a recomendação mundial é de 1 policial para cada 250 habitantes. Informou que em 2009 mais de 9.000 ocorrências que chegaram à central de registros de emergências da PM não foram atendidas por absoluta falta de pessoal.

Ao final da reunião ficou decidida a formação de uma comissão formada por empresários e líderes da sociedade civil, sob coordenação da Acic, para ir ao governador do Estado exigir a dotação e lotação de mais policiais militares e civis para Chapecó. O presidente da Acic assegurou que o empresariado fornecerá recursos privados para atender as carências mais urgentes das Polícias locais no combate ao crime -  como combustível, materiais e veículos.

 


 

 
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